A tradicional queima de fogos nas festas juninas da Paraíba está no centro de uma polêmica. Em reunião realizada nesta semana, o Ministério Público da Paraíba (MPPB), representantes de órgãos ambientais e a Associação dos Comerciantes de Fogos discutiram as medidas que estão sendo tomadas para garantir o cumprimento da lei estadual que proíbe, com rigor, a fabricação, comercialização, guarda, transporte e uso de fogos com estampido.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias do Meio Ambiente, promotora de Justiça Daniele Lucena da Costa Rocha, foi quem conduziu a reunião, deixando claro que a fiscalização será intensificada já nas festas juninas e baseada em normas técnicas do Corpo de Bombeiros. Segundo ela, quem descumprir a regra será autuado e poderá receber multa.
Mas a decisão não foi recebida com unanimidade. Comerciantes do setor, que dependem do período junino para garantir grande parte de sua renda anual, reagiram com preocupação. A Associação dos Comerciantes de Fogos demonstrou interesse em colaborar com o cumprimento da norma e solicitou orientações claras sobre os produtos permitidos.
Do outro lado, órgãos ambientais reforçaram os danos causados pelos estampidos — especialmente em relação ao sofrimento de animais domésticos e silvestres, além dos efeitos colaterais em pessoas com hipersensibilidade auditiva, como autistas e idosos. “Não se trata de acabar com as festas, mas de torná-las menos agressivas ao meio ambiente e à saúde pública”, argumentou um técnico ambiental presente.
A tensão ficou evidente quando o MPPB deixou claro que a fiscalização será incisiva e imediata, com foco nos comércios e festas juninas municipais. A promotora Daniele Lucena foi enfática: “A lei está em vigor e será cumprida. O tempo da conscientização já passou. Agora é fiscalização e responsabilização.”
Enquanto ambientalistas e defensores da causa animal comemoram a ação, comerciantes se mobilizam para tentar flexibilizar a medida. A expectativa é que o debate se intensifique nos próximos dias, especialmente com a proximidade do São João — festa considerada patrimônio cultural do Nordeste, que pode agora enfrentar uma das maiores transformações de sua história recente.