O caso envolvendo o influenciador digital Hytalo Santos, denunciado pelo youtuber Felca por suposta exploração de menores na internet, segue em investigação pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) desde novembro de 2024. As apurações, que tramitam sob sigilo, têm como objetivo verificar se houve violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao expor crianças e adolescentes a situações com teor sexual ou responsabilidades impróprias para a idade. A promotora Ana Maria França informou que vídeos, postagens e a idade das pessoas envolvidas estão sendo avaliados, assim como o vínculo com o influenciador.

Hytalo Santos, que acumula milhões de seguidores nas redes, nega as acusações e afirma estar colaborando com todas as etapas da investigação. Segundo ele, as adolescentes citadas são emancipadas ou possuem autorização formal das mães, que acompanhariam de perto as atividades. “Quem não deve, coopera”, declarou o influenciador, reforçando que mantém bom relacionamento com as famílias das jovens.

A denúncia ganhou repercussão nacional após Felca publicar, no início de agosto, um vídeo em que acusa Hytalo de usar menores de idade de forma exploratória em seus conteúdos, incluindo a jovem Kamylla Santos, de 17 anos. O episódio resultou na desativação da conta de Hytalo no Instagram, que tinha mais de 20 milhões de seguidores, ampliando a pressão pública e política sobre o caso.

No cenário político, a repercussão uniu vozes de diferentes espectros. Pela esquerda, a deputada federal Érika Hilton (PSOL) parabenizou Felca pela denúncia e informou ter acionado a Polícia Federal e a Justiça para apuração dos perfis envolvidos. Já pela direita, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) afirmou que a denúncia “mexe em um vespeiro”, sinalizando apoio à continuidade das investigações.

Enquanto o inquérito segue em andamento, especialistas alertam para o debate mais amplo que o caso trouxe à tona: a adultização infantil e seus impactos psicológicos, sociais e cognitivos. Psicólogos reforçam que a exposição precoce a responsabilidades e comportamentos adultos pode gerar ansiedade, baixa autoestima e prejuízos no desenvolvimento emocional, além de comprometer a convivência com outras crianças e a construção de vínculos saudáveis. A expectativa é que, nas próximas semanas, o Ministério Público conclua a análise do material coletado e decida sobre possíveis denúncias formais.