A Polícia Civil da Paraíba deflagrou uma ação explosiva na manhã desta segunda-feira (7) para desmantelar um suposto esquema de clínicas clandestinas que resultou na morte de dois cães e colocou em risco a saúde de outros animais na região do Sertão. O alvo principal é um estudante de Veterinária – sem diploma e sem registro profissional – que, segundo as investigações, vinha se apresentando nas redes sociais como “médico-veterinário”, realizando cirurgias, vacinações e atendimentos domiciliares.
Coordenada pelo delegado Rafael Muniz, a operação contou com o apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB). Participaram o chefe do setor de fiscalização, José Augusto, e o fiscal José Leandro. Dois suspeitos foram conduzidos à delegacia, e os agentes apreenderam anestésicos, instrumentos de odontologia equina e um lote de medicamentos vetados para venda livre.
“É charlatanismo puro e simples. Ele faturava às custas do sofrimento dos animais e do descuido de quem confiou em um suposto profissional,” disparou o delegado Rafael Muniz, adiantando que, além do exercício ilegal da Medicina Veterinária (art. 282 do Código Penal), o investigado deve responder por maus-tratos (art. 32 da Lei 9.605/1998) e por infrações à Lei 11.343/2006, que trata do comércio irregular de substâncias sujeitas a controle especial.
Cadelas morreram após castração clandestina

A investigação, aberta em abril, ganhou força depois que a tutora de três cadelas denunciou a morte de duas delas logo após uma castração supostamente realizada pelo estudante. A terceira fêmea sobreviveu, mas precisou de atendimento de emergência em uma clínica regular.
Durante as diligências, a polícia descobriu que o investigado também mantinha uma agropecuária registrada no CRMV-PB como farmácia veterinária. O ponto comercial tem uma profissional licenciada como responsável técnica, já ouvida pela Polícia Civil. O inquérito vai apurar se ela foi conivente ou se houve falsificação de documentos para encobrir o esquema.
Fiscalização promete apertar cerco
Para o médico-veterinário José Augusto, o caso escancara a necessidade de denúncias rápidas e bem fundamentadas:
“Proteger a sociedade e os animais é nossa atribuição legal. Qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente ao CRMV ou à polícia,” enfatizou ele, agradecendo a “atuação cirúrgica” da equipe de Rafael Muniz.
As penas combinadas podem ultrapassar oito anos de reclusão, além de multas pesadas e cassação de eventual licença comercial. O estudante foi ouvido e liberado enquanto aguarda a conclusão do inquérito. Já os medicamentos apreendidos serão periciados para rastrear a cadeia de fornecimento.