A Operação HOPE, deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira (23) pela Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Ministério Público, revelou um esquema sofisticado de movimentação financeira usado por uma das maiores facções criminosas do estado. Cinco mulheres foram presas até o momento, suspeitas de emprestar contas bancárias pessoais para ocultar e movimentar valores milionários oriundos do tráfico de drogas e outros crimes.

Segundo o delegado Victor Melo, da DRACO (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), as mulheres atuavam como “laranjas”, fornecendo seus dados bancários à facção para permitir a circulação de grandes quantias de dinheiro de forma disfarçada. A estratégia era usada para dificultar o rastreamento das autoridades e garantir o funcionamento do esquema criminoso.

“Essas mulheres tinham plena ciência de que estavam colaborando com o crime organizado. Elas cederam dados bancários para movimentação de valores oriundos de atividades ilícitas. Estamos falando de milhões sendo lavados por essas contas”, afirmou o delegado.

A Operação HOPE é resultado de uma investigação que começou em 2024 e teve como marco a prisão de uma das lideranças da facção, ocorrida em janeiro deste ano, na zona rural de Campina Grande. A partir dali, os investigadores conseguiram mapear a rede de apoio do criminoso, revelando não só a estrutura de tráfico, armas e homicídios, mas também o esquema financeiro que sustentava a facção.

Ao todo, estão sendo cumpridos 70 mandados judiciais, sendo 25 de prisão preventiva, nas cidades de João Pessoa, Santa Rita, Conde, Campina Grande e Remígio, além de três unidades prisionais do estado. Cerca de 200 agentes — entre policiais civis, penais, bombeiros e membros do GAECO — estão envolvidos na operação, que segue em andamento durante todo o dia.

A operação leva o nome de HOPE (esperança, em inglês) em alusão ao Residencial Boa Esperança, também conhecido como Gadanhe, localizado no bairro Padre Zé, um dos redutos da facção na capital.

Diversos presos já chegaram à Central de Polícia, no bairro do Geisel, e novas capturas devem ocorrer ao longo do dia. As equipes também atuam em pontos estratégicos como o bairro das Indústrias, em Cruz das Armas, e nas imediações da Valdemar Galdino Leal, áreas de influência direta da organização.

A Polícia Civil e o Ministério Público reforçam que a operação é mais um passo decisivo no desmantelamento da maior ORCRIM do estado, atingindo tanto os executores quanto quem financia ou colabora com a sustentação do crime.