AO caso do influenciador digital Hytalo Santos ganhou novos desdobramentos nesta semana e segue provocando forte repercussão na Paraíba e em todo o país. Alvo de denúncias do Ministério Público e de um inquérito policial, Hytalo teve todos os seus perfis nas redes sociais removidos, inclusive o Instagram, que reunia milhões de seguidores.
A queda das contas ocorreu após a divulgação de um vídeo do youtuber Felca, que expôs imagens e trechos de transmissões nas quais adolescentes apareciam em situações consideradas impróprias para a idade, com beijos, coreografias e diálogos de cunho sexual. O material viralizou e colocou o influenciador no centro de acusações de “adultização” e exploração de menores para fins lucrativos.
Além da suspensão das redes, a Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público e determinou o afastamento imediato dos adolescentes que viviam com Hytalo, proibindo qualquer contato com os menores. Também foi ordenada a suspensão, em até 48 horas, da autorização de funcionamento da empresa “Fartura Premiações”, divulgada nos canais do influenciador, até que as supostas irregularidades sejam cessadas ou o processo seja concluído.
A promotora de Justiça Ana Maria França afirmou que as investigações começaram a partir de denúncias de moradores do condomínio onde o influenciador vivia, que relataram comportamentos e gravações inadequadas com adolescentes.
“Recebemos denúncias de que menores estariam sendo expostos a conteúdos e comportamentos que não condizem com a sua faixa etária, com conotação sexual e fins lucrativos. O Ministério Público está atuando para garantir a proteção integral dessas crianças e adolescentes, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.”Frisou.
O caso não para por aí. A adolescente Kamylinha Santos, de 17 anos, figura constante nos vídeos de Hytalo, também teve suas redes desativadas. A medida foi ligada a irregularidades em publicidades de apostas esportivas, proibidas para menores.
Em defesa, Hytalo nega as acusações, afirma que os jovens que aparecem em seus vídeos são emancipados e que as famílias autorizam a participação deles. O influenciador diz estar colaborando com as investigações e acusa os críticos de “distorcerem” seu trabalho.
Paralelamente, a Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou por unanimidade a chamada Lei Felca, que proíbe práticas de adultização de crianças menores de 12 anos. A proposta que prevê campanhas educativas, fiscalização e canais de denúncia segue para sanção do governador João Azevêdo.
Com redes derrubadas, investigações na esfera cível, criminal e trabalhista, e pressão crescente da opinião pública, o caso Hytalo Santos se torna um dos mais polêmicos e simbólicos no debate sobre os limites da exposição de crianças e adolescentes na internet.
SB