A retirada de gramas paisagísticas, palmeiras e sistemas de irrigação da orla de Camboinha, em Cabedelo (PB), desencadeou uma grande polêmica entre moradores, ambientalistas e o poder público. As ações, realizadas entre os dias 13 e 14 de outubro de 2025 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tiveram o objetivo de eliminar espécies exóticas e estruturas instaladas irregularmente sobre áreas públicas e de preservação permanente de restinga. O caso gerou divergências sobre os limites entre o paisagismo urbano e a preservação ambiental e acabou motivando a convocação de uma audiência pública pelo Ministério Público Federal (MPF).
A operação foi acompanhada pela Sudema e pelo MPF, que identificaram a necessidade de restaurar a vegetação nativa e garantir o uso coletivo da faixa costeira, sobretudo nas áreas que servem de desova para tartarugas marinhas. Durante o trabalho, equipes removeram até postes de iluminação artificial, deixando visível uma faixa de areia onde o solo está exposto após a supressão da cobertura vegetal. Segundo o poder público, as medidas buscam restabelecer o equilíbrio ecológico e impedir a privatização da orla, mas moradores criticaram a forma de execução, alegando falta de diálogo e prejuízo estético para a região.
Para debater o impasse, o MPF na Paraíba realizará uma audiência pública no dia 4 de novembro, às 9h, no auditório do órgão, localizado na Avenida Epitácio Pessoa, nº 1800, em João Pessoa, com transmissão ao vivo pelo canal @MPFPB no YouTube. O encontro reunirá representantes da SPU, Sudema, Prefeitura de Cabedelo, Projeto Preamar, especialistas, procuradores da República e entidades ambientais.
O MPF informou que a audiência pretende ouvir todos os lados e buscar soluções equilibradas para a recuperação ambiental da orla, respeitando tanto os aspectos ecológicos quanto o direito de uso público da faixa litorânea. A expectativa é que o debate resulte em medidas conjuntas de manejo, reflorestamento e conscientização, capazes de transformar o episódio de Camboinha em um marco para a gestão ambiental no litoral paraibano.
SB