O governo federal vai destinar 40 televisores do tipo Smart TV para a execução de um programa de cinema voltado à reintegração social de pessoas privadas de liberdade nas penitenciárias federais de segurança máxima. A iniciativa faz parte do programa ReintegraCINE, desenvolvido no âmbito da política de reintegração social do Sistema Penitenciário Federal.

De acordo com informações oficiais, a aquisição dos equipamentos custou R$ 85,4 mil aos cofres públicos. Os aparelhos têm 50 polegadas, resolução 4K e acesso à internet, e serão distribuídos entre as cinco unidades do sistema penitenciário federal, localizadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Brasília (DF).

Segundo o governo, as TVs serão utilizadas para a exibição de conteúdos musicais e audiovisuais sob demanda, incluindo plataformas de streaming.

A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou que a seleção do material audiovisual ficará sob responsabilidade da Divisão de Reabilitação das Penitenciárias Federais. No entanto, a programação passará por análise da Divisão de Segurança e Disciplina, além de aprovação do Conselho Disciplinar do Preso de cada unidade.

Opinião

A notícia de que presídios no Brasil vão receber televisões e até sessões de cinema causa revolta imediata em grande parte da população — e não é difícil entender o porquê. Em um país onde faltam vagas em escolas, remédios em hospitais e segurança nas ruas, a ideia de oferecer “conforto” a quem cometeu crimes soa como um desrespeito a quem vive honestamente e sofre com a violência todos os dias.

O sistema prisional brasileiro já enfrenta problemas graves: superlotação, facções, reincidência criminal e falta de ressocialização real. Diante disso, investir em TVs e cinema parece inverter prioridades. Para muitas vítimas, é doloroso imaginar que o agressor pode estar assistindo a filmes enquanto elas lidam com traumas, prejuízos e medo.

Por outro lado, defensores da medida alegam que o acesso controlado à informação e a atividades culturais pode ajudar na disciplina interna e na ressocialização. O problema é que, sem critérios claros, fiscalização rigorosa e resultados concretos, esse discurso vira apenas teoria bonita. Ressocializar não é entreter, é educar, capacitar para o trabalho e reduzir a reincidência.

A pergunta que fica é simples e direta: o Estado está cuidando melhor de quem errou do que de quem cumpre a lei? Se a resposta for “sim”, algo está profundamente errado. Qualquer política para presídios precisa vir acompanhada de transparência, metas e, principalmente, respeito à sociedade e às vítimas. Caso contrário, a sensação de injustiça só aumenta e a confiança nas instituições diminui ainda mais.

SB