A Justiça Eleitoral da Paraíba voltou a acender o sinal de alerta sobre a confiabilidade de pesquisas eleitorais divulgadas no estado. Desta vez, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) determinou a suspensão imediata de um levantamento realizado pelo Instituto Veritá, que pretendia ouvir eleitores sobre a disputa para o Governo do Estado e o Senado.

A decisão foi tomada após o MDB apontar uma série de falhas consideradas graves na pesquisa. Entre os problemas identificados estão perguntas que não haviam sido informadas oficialmente à Justiça, inconsistências na forma como os dados seriam coletados e contradições no próprio método estatístico apresentado pelo instituto. Na prática, segundo a decisão judicial, as irregularidades colocam em dúvida a confiabilidade dos números que seriam divulgados ao público.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque não é a primeira vez que o Instituto Veritá enfrenta problemas semelhantes na Paraíba. De acordo com o TRE-PB, esta já é a terceira pesquisa da empresa suspensa pela Justiça Eleitoral em 2026. Em decisões anteriores, os magistrados também identificaram falhas metodológicas que comprometeriam a credibilidade dos levantamentos. Em uma das situações, houve inclusive questionamentos sobre a continuidade da circulação de resultados mesmo após determinação judicial para suspensão.

A repetição dos problemas preocupa especialistas e reforça o debate sobre a influência das pesquisas eleitorais na formação da opinião pública. Afinal, levantamentos divulgados sem o devido rigor técnico podem impactar a percepção do eleitor e interferir no ambiente político durante o período pré-eleitoral.

Além de barrar a divulgação da pesquisa, o TRE-PB estabeleceu multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão. O processo também foi encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral, que deverá analisar se há elementos para investigação mais aprofundada. Dependendo da conclusão das autoridades, o caso poderá resultar em apuração sobre eventual divulgação de pesquisa considerada fraudulenta, conforme prevê a legislação eleitoral.

Com mais essa decisão, a Justiça Eleitoral demonstra que pretende manter fiscalização rigorosa sobre os levantamentos divulgados durante o processo eleitoral, reforçando a necessidade de transparência, metodologia clara e respeito às regras que garantem a confiança da população nos números apresentados durante as campanhas.