A Paraíba acendeu um alerta vermelho na segurança pública. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 revelam que o estado registrou 1.078 casos de estupro de vulnerável em 2025, um aumento de 22,1% em relação ao ano anterior. O crescimento foi o maior do Brasil e coloca a Paraíba na contramão da tendência nacional, que registrou queda de aproximadamente 5,2% nesse tipo de crime.
Na prática, os números significam que cerca de três crianças ou adolescentes em situação de vulnerabilidade foram vítimas de violência sexual todos os dias no estado ao longo do ano passado.
Enquanto os demais estados do Nordeste reduziram, em média, 3,5% dos casos, a Paraíba seguiu no sentido oposto, tornando-se a unidade da federação com a maior alta proporcional do país.
As vítimas têm rosto e idade
O levantamento mostra um perfil que torna a realidade ainda mais preocupante.
Na Paraíba, 959 das vítimas eram meninas, representando cerca de 89% de todas as ocorrências.
A faixa etária mais atingida foi a de 10 a 13 anos, responsável por 42,5% dos registros. Em seguida aparecem crianças entre 5 e 9 anos, que correspondem a 21,9% dos casos.
O agressor, na maioria das vezes, está dentro de casa
Os dados também desmontam um dos maiores mitos sobre esse tipo de crime.
Em 59,2% das ocorrências envolvendo menores de 14 anos, o autor é um familiar da vítima. Outros 36,9% são pessoas conhecidas da família ou da criança.
Apenas 3,9% dos casos tiveram como autor um desconhecido.
O local onde a violência acontece reforça esse cenário: 64,9% dos crimes ocorreram dentro da própria residência da vítima, enquanto apenas 6,5% aconteceram em vias públicas.
Mais que estatística, um retrato da falha na proteção
Os números levantam um debate inevitável: o que está falhando na rede de proteção às crianças e adolescentes?
Especialistas apontam que o aumento pode refletir tanto um crescimento real da violência quanto uma maior capacidade de denúncia. Ainda assim, os índices colocam a Paraíba em uma posição extremamente preocupante no cenário nacional.
A predominância de crimes praticados por familiares ou pessoas próximas evidencia que o enfrentamento exige muito mais do que ações policiais. O desafio passa por fortalecer escolas, conselhos tutelares, assistência social, saúde e campanhas permanentes de conscientização para identificar sinais de abuso e estimular denúncias.
O que diz a lei
O Código Penal considera estupro de vulnerável qualquer ato sexual praticado contra menores de 14 anos ou contra pessoas que, por enfermidade, deficiência ou outra condição, não tenham capacidade de oferecer consentimento válido.
A pena prevista varia de 8 a 15 anos de prisão, podendo ser ampliada quando há agravantes.