Paralisação por tempo indeterminado pode alcançar cerca de 60 unidades no estado; em Patos e municípios da região, movimento começa na segunda-feira (14)

Funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil iniciaram, nesta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado em diversas cidades da Paraíba. A mobilização, resultado do impasse nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, já provoca o fechamento de agências e deve afetar principalmente os atendimentos presenciais.

Segundo informações atribuídas ao Sindicato dos Bancários da Paraíba (Sintrafi-PB), agências das duas instituições amanheceram fechadas em João Pessoa. A expectativa é de que aproximadamente 60 unidades bancárias sejam alcançadas pelo movimento no estado, dependendo da adesão dos trabalhadores. Os terminais de autoatendimento e os canais digitais permanecem disponíveis. (Patos Online⁠)

A paralisação ocorre em meio a uma divisão na categoria bancária. Enquanto funcionários de bancos privados aprovaram a convenção coletiva, com reajuste correspondente à inflação mais aumento real de 0,6%, empregados da Caixa e de parte das bases sindicais do Banco do Brasil rejeitaram as propostas específicas apresentadas pelas instituições públicas.

Plano de saúde está no centro da polêmica

O principal ponto de conflito envolve o financiamento dos planos de assistência à saúde dos trabalhadores.

No caso da Caixa, a proposta discutida nas negociações elevaria a contribuição dos empregados de 3,5% para 5,5% do salário-base. Também haveria aumento dos valores cobrados por dependente. A possibilidade de elevação dessas despesas provocou forte reação entre funcionários da ativa, aposentados e pensionistas, que temem um comprometimento maior da renda familiar.

A Caixa, por sua vez, afirma que permanece aberta ao diálogo e que busca uma solução capaz de equilibrar os interesses dos empregados, a sustentabilidade do plano e a continuidade dos serviços prestados à população.

No Banco do Brasil, o impasse também passa pelo custeio da assistência médica. A instituição apresentou uma proposta de aporte de R$ 360 milhões para ajudar a manter o plano até novembro, mas o modelo não foi aceito por todas as representações sindicais. Por isso, a greve no BB não ocorre de maneira uniforme em todo o país: algumas bases aprovaram o acordo, enquanto outras decidiram cruzar os braços. (Folha de S.Paulo⁠)

Na Paraíba, a insatisfação foi expressiva. Conforme resultado divulgado pelo sindicato, 77,38% dos participantes rejeitaram a proposta do Banco do Brasil. Na Caixa, a rejeição alcançou 93,58% dos votos válidos.

Patos e região param na segunda-feira

Em Patos, a greve começará na próxima segunda-feira (14). A diferença de data ocorre porque a região pertence a outra base sindical e precisou cumprir o prazo de comunicação às instituições financeiras.

Na assembleia dos bancários de Patos e região, 69,8% dos trabalhadores do Banco do Brasil rejeitaram a proposta, enquanto 79,1% aprovaram a greve. Entre os empregados da Caixa, 85,5% votaram contra a proposta e 89,1% apoiaram a paralisação.

O movimento deverá atingir as duas unidades da Caixa em Patos, localizadas no Centro e no shopping, além da agência do Banco do Brasil. Também estão previstas paralisações em unidades do BB em Piancó, Teixeira e Santa Luzia, assim como nas agências da Caixa em Piancó e Santa Luzia.

As agências de bancos privados e do Banco do Nordeste não devem aderir ao movimento na região de Patos, pois seus trabalhadores aprovaram as respectivas propostas. (Patos Online⁠)

População deve ficar atenta aos vencimentos

Apesar da greve, os vencimentos de boletos, faturas e demais compromissos financeiros não são automaticamente prorrogados. Os clientes devem utilizar aplicativos, internet banking, Pix, caixas eletrônicos, casas lotéricas e correspondentes bancários para evitar multas e juros.

Procedimentos que exigem atendimento presencial, como atualização cadastral específica, coleta de biometria, liberação de determinados serviços, negociação de contratos e algumas operações de crédito, podem sofrer atrasos.

A paralisação transforma-se, assim, em uma disputa delicada: de um lado, os trabalhadores defendem a preservação de direitos e condições sustentáveis para os planos de saúde; do outro, os bancos alegam a necessidade de manter o equilíbrio financeiro dos benefícios. No meio do conflito está a população, especialmente aposentados, pessoas com dificuldades para utilizar aplicativos e moradores de municípios onde o atendimento presencial ainda é indispensável.

Ainda não há previsão para o encerramento da greve. Novas rodadas de negociação poderão definir se a paralisação será ampliada ou suspensa nos próximos dias.