Presidente da Câmara reconhece declarações feitas no calor da emoção após decisão judicial que suspendeu eleição da Mesa Diretora; episódio amplia tensão na disputa pelo comando do Legislativo.

A presidente da Câmara Municipal de Bayeux, vereadora Jays de Nita (PSB), voltou ao centro das atenções políticas após divulgar uma nota de esclarecimento e apresentar um pedido de desculpas ao Poder Judiciário. A manifestação ocorre depois da repercussão de um áudio no qual a parlamentar levantou suspeitas de corrupção envolvendo uma decisão judicial que suspendeu a eleição da Mesa Diretora da Casa.

No esclarecimento divulgado nas redes sociais, Jays reconheceu que, no calor da emoção, fez declarações que podem ter sido interpretadas de maneira equivocada ou gerado dúvidas sobre o verdadeiro sentido de suas palavras.

A controvérsia começou após a Justiça determinar a suspensão da eleição para a presidência da Câmara, que estava marcada para o último domingo (18). A decisão foi proferida pelo juiz Francisco Antunes Batista, após questionamentos judiciais apresentados pelo vereador Nôquinha, que também disputa o comando do Legislativo municipal para o biênio 2027–2028.

Inconformada com a determinação, Jays teve um áudio divulgado em grupos de mensagens no qual insinuava que o deputado estadual Felipe Leitão teria corrompido um magistrado para impedir sua vitória na disputa interna.

A declaração repercutiu por envolver uma acusação grave contra a integridade do Poder Judiciário, sem a apresentação de provas que sustentassem a suspeita.

Disputa política acirrou os ânimos

O episódio acontece em meio a uma intensa disputa de forças políticas em Bayeux. Após perder o apoio do grupo liderado pela prefeita Tacyana Leitão, Jays de Nita se aproximou de vereadores da oposição e passou a articular sua recondução à presidência da Câmara.

A mudança de posicionamento provocou um racha na base política e abriu uma disputa direta com o vereador Nôquinha, escolhido pelo grupo governista para concorrer ao comando da Casa.

A crise ganhou dimensão judicial depois de divergências envolvendo a convocação da eleição, a alteração do calendário e a participação da presidente em duas composições de chapa.

Na decisão que suspendeu a votação, o magistrado apontou questões relacionadas ao cumprimento das regras internas da Câmara e determinou a adequação do Regimento Interno às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal.