O governo federal estuda reativar o transporte ferroviário de passageiros no Nordeste e já definiu o trecho entre Recife (PE) e João Pessoa (PB) como prioritário para o projeto. A proposta integra o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) e pretende recuperar trechos da antiga malha ferroviária desativada desde os anos 1990, justamente no momento em que cresce a preocupação com o possível fim das operações da CBTU na capital paraibana.

De acordo com o Ministério dos Transportes, o traçado previsto para a nova linha terá cerca de 120 quilômetros de extensão, ligando as capitais por meio de cidades como Abreu e Lima e Goiana, em Pernambuco, e Caaporã e Cabedelo, na Paraíba. O projeto deve aproveitar parte da estrutura da antiga ferrovia federal, exigindo modernização dos trilhos, construção de estações e adequações técnicas para o transporte de passageiros.

A maior parte da malha ferroviária da Paraíba hoje está subutilizada ou desativada. Estima-se que o estado tenha pouco mais de 300 quilômetros de ferrovias, grande parte sem operação ativa. Atualmente, o único trecho em funcionamento é o trem metropolitano da CBTU, que liga Cabedelo a Santa Rita, atendendo cerca de 12 mil passageiros por dia — sistema que vem sendo alvo de incertezas orçamentárias e estruturais.

O projeto Recife–João Pessoa busca justamente retomar a relevância do modal ferroviário no estado, com foco em transporte interestadual de curta e média distância. Além de reduzir o tráfego rodoviário, a ligação pode fortalecer o turismo, o comércio regional e a integração com o Porto de Cabedelo. Especialistas afirmam que a reativação desse eixo seria um passo estratégico para a logística e o desenvolvimento sustentável da Paraíba.

O governo estima investimentos de até 60 bilhões de reais em ferrovias no Nordeste dentro do PNL 2050. O edital para seleção de empresas interessadas deve ser lançado ainda este ano, e os estudos de viabilidade técnica e econômica estão previstos para o primeiro semestre de 2026.

SB com Valor Econômico