A TV Arapuan deu uma demonstração de organização e profissionalismo ao realizar o primeiro debate televisionado entre os principais candidatos ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026. Com cenário bem produzido, dinâmica que favoreceu o confronto direto e espaço para que os candidatos fossem além dos discursos ensaiados, a emissora entregou ao eleitor um debate movimentado e, principalmente, revelador.
Cícero Lucena (MDB), Lucas Ribeiro (Progressistas) e Efraim Filho (PL) chegaram ao encontro com estratégias diferentes, mas rapidamente ficou evidente que ninguém pretendia passar a noite apenas apresentando propostas.

Cícero apostou na experiência e na cobrança. O emedebista procurou colocar Lucas Ribeiro na condição de quem precisava prestar contas. Questionou resultados, obras, contratações e decisões do Governo do Estado e tentou reforçar a imagem de administrador experiente, utilizando sua passagem por diferentes cargos públicos como contraponto ao atual governador.
Em alguns momentos, porém, a estratégia transformou o debate quase em uma prestação de contas entre antigos aliados.
Lucas escolheu o contra-ataque. Em vez de permanecer apenas na defesa das ações estaduais, respondeu às cobranças levando a gestão de Cícero em João Pessoa para o centro do confronto. Creches, parques, limpeza urbana e obras da Capital apareceram como munição. A estratégia ficou clara: quando provocado sobre o Governo do Estado, Lucas buscava devolver a pergunta politicamente, questionando o legado administrativo do adversário.

Foi entre os dois que surgiu a maior temperatura da noite. A discussão sobre quem realizou determinadas obras mostrou algo que provavelmente continuará presente durante a campanha: Cícero e Lucas não disputarão apenas o futuro da Paraíba, mas também a autoria e o legado de administrações das quais, em diferentes momentos, estiveram politicamente próximos.
Efraim Filho enfrentou um desafio diferente. Com Cícero e Lucas concentrando boa parte da atenção um no outro, o senador precisou buscar espaço para não assistir ao debate como terceiro personagem de uma disputa protagonizada pelos adversários. Quando entrou no confronto, procurou se apresentar como alternativa aos dois grupos, reforçando críticas e buscando diferenciar sua candidatura.

O comportamento dos três talvez tenha dito mais sobre a campanha que começa do que algumas das próprias propostas apresentadas.
Cícero mostrou que pretende cobrar. Lucas deixou claro que não aceitará ficar apenas na defensiva. E Efraim sinalizou que precisará romper a polarização entre os dois adversários para construir seu próprio espaço eleitoral.
Não houve candidato disposto a economizar munição.
E esse talvez seja o principal saldo político da noite: a campanha para o Governo da Paraíba promete ser muito menos protocolar do que se imaginava.

Ao colocar os três frente a frente, a TV Arapuan conseguiu algo essencial em um debate eleitoral: retirar os candidatos do ambiente controlado das redes sociais, das entrevistas individuais e dos eventos de campanha.
Quando o adversário está a poucos metros e tem direito à resposta, não basta apresentar uma versão preparada de si mesmo. É preciso reagir, argumentar, controlar o tempo e sustentar o discurso.
Nesse aspecto, o primeiro debate em TV Aberta cumpriu seu papel.
A Arapuan ofereceu o palco. Os candidatos mostraram que o tom da eleição de 2026 já está definido: será uma disputa de propostas, mas também de legado, gestão, memória política e confronto.