O Ministério Público Eleitoral denunciou o atual prefeito de Cabedelo (PB), André Luís Almeida Coutinho, o ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano, o vereador Márcio Alexandre de Melo e Silva e mais três pessoas por corrupção eleitoral, peculato e organização criminosa. A acusação é fruto das investigações das Operações En Passant I e II, conduzidas pelo MPF e pela Polícia Federal com apoio do Gaeco.

Segundo o MP Eleitoral, os investigados montaram um esquema sofisticado de compra de votos e coação de eleitores, usando a máquina pública e contratos terceirizados para beneficiar candidatos ligados à facção criminosa “Tropa do Amigão”, associada ao Comando Vermelho. A denúncia aponta ainda ameaças a opositores, incluindo depredação de casas de familiares de um ex-vereador que se recusou a ceder cargos e salários.

Durante as buscas, foram apreendidas cestas básicas, fichas de solicitação de emprego, cópias de títulos de eleitor e materiais de campanha, além de registros de transferência de valores via Pix a eleitores que apresentaram comprovantes de votação no dia da eleição. Os pagamentos variavam de R$ 80 a R$ 300, segundo o MP.

O objetivo, segundo a denúncia, era assegurar votos em comunidades controladas pela facção, garantindo emprego e benefícios em troca de apoio político e intimidação de opositores. O processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE/PB), que agora avaliará a extensão do suposto esquema criminoso envolvendo a gestão municipal.

A denúncia abre um capítulo alarmante sobre a mistura entre crime organizado e política local, e coloca em xeque a lisura das eleições em Cabedelo.

SB