O Projeto de Lei da anistia, em tramitação na Câmara dos Deputados, vem movimentando Brasília e já divide opiniões dentro da bancada paraibana. A proposta, de autoria do deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), busca anistiar participantes dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo financiadores, organizadores e manifestantes. A medida é alvo de forte debate jurídico, já que juristas questionam a possibilidade de perdoar crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Na Paraíba, a postura dos parlamentares chama atenção pela divisão. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL) foi o único a declarar apoio aberto ao projeto e já assinou a proposta. Além dele, Wellington Roberto (PL) e Mersinho Lucena (PP) também assinaram o pedido de urgência para acelerar a votação. Do outro lado, Gervásio Maia (PSB) e Luiz Couto (PT) se posicionaram contrários à anistia, defendendo que os responsáveis pelos atos golpistas devem responder judicialmente.
A maioria da bancada, no entanto, adota cautela ou evita se posicionar de forma clara. Deputados como Romero Rodrigues, Aguinaldo Ribeiro, Wilson Santiago, Murilo Galdino e Damião Feliciano ainda não definiram abertamente seu voto, o que pode ser decisivo no desfecho do projeto. Esse silêncio estratégico revela o peso político do tema, capaz de impactar diretamente o eleitorado paraibano em meio à polarização nacional.
Outro destaque é a posição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que ganhou protagonismo no debate. Caberá a ele conduzir a pauta, sob pressão de setores bolsonaristas e do Centrão para acelerar a votação. Embora evite revelar sua posição pessoal, Motta sinaliza que qualquer decisão será tomada em diálogo com líderes partidários. O cenário reforça o papel da Paraíba como peça central no tabuleiro político de um dos debates mais tensos do Congresso Nacional.
SB