Nos últimos anos, o número de ataques de cães da raça pit bull tem crescido em diversas regiões do Brasil, gerando preocupação entre autoridades, veterinários e a população em geral. Embora a raça seja conhecida por sua força física e comportamento territorial, especialistas ressaltam que o problema não está no animal em si, mas na forma como é criado e cuidado. O médico veterinário Dr. André Braga explica que o pit bull, como qualquer outro cão, pode apresentar comportamento agressivo quando não recebe a atenção, o treinamento e os cuidados adequados. “É um animal extremamente forte, com grande capacidade física, e por isso precisa de um tutor responsável, que saiba conduzir essa energia de forma positiva”, afirma.

Segundo o veterinário, a socialização desde filhote é um dos principais fatores para evitar problemas futuros. O cão deve conviver com diferentes pessoas, outros animais e estímulos variados ainda nos primeiros meses de vida. Além disso, o adestramento é fundamental, não apenas para ensinar comandos básicos, mas para estabelecer uma relação de respeito entre o cão e seu tutor. “Não é uma raça para qualquer pessoa. O pit bull exige firmeza, rotina, limites claros e, acima de tudo, amor e respeito”, diz Dr. André Braga.

Outro ponto destacado pelo veterinário é o gasto de energia. Pit bulls são muito ativos e precisam de atividades físicas diárias para se manterem equilibrados. Passeios longos, brincadeiras e estímulos mentais são recomendados. Quando confinados ou negligenciados, podem desenvolver comportamentos agressivos por frustração ou estresse. A castração também pode ajudar a reduzir impulsos territoriais e hormonais, contribuindo para um comportamento mais estável. Dr. André destaca ainda que, por lei, em muitos municípios brasileiros, cães dessa raça só podem circular em locais públicos com coleira, guia curta e focinheira – medidas que visam proteger tanto o animal quanto as pessoas ao redor.

Em caso de ataque, a recomendação é manter a calma, proteger áreas vitais como pescoço e rosto, e evitar movimentos bruscos que possam intensificar o comportamento do cão. Se possível, usar objetos como mochilas ou roupas para se proteger, e tentar desviar a atenção do animal. Após o ataque, é essencial procurar atendimento médico mesmo em ferimentos aparentemente leves, pois a saliva dos cães pode conter bactérias perigosas. O caso também deve ser registrado na delegacia e comunicado à vigilância sanitária ou ao centro de zoonoses.

Dr. André Braga reforça que a responsabilidade pelo comportamento do animal é totalmente do tutor. Em situações de ataque, o dono pode responder judicialmente, inclusive por lesão corporal ou homicídio culposo. “Não se trata de demonizar a raça, mas de reconhecer que cães como o pit bull precisam de cuidados específicos e contínuos. Educação e responsabilidade são as chaves para a convivência segura entre esses animais e a sociedade”, alerta.

Apesar da imagem negativa que muitas vezes recai sobre os pit bulls, o veterinário destaca que a raça pode ser carinhosa, fiel e extremamente leal quando bem tratada. O que falta, segundo ele, é conscientização. “O pit bull não é uma arma. É um animal como qualquer outro, que precisa de atenção, cuidado e limites. Com a orientação correta, pode ser um excelente companheiro”, conclui Dr. André Braga.

O aumento de ataques serve de alerta, mas também de oportunidade para se discutir a posse responsável de animais, o cumprimento da legislação e, principalmente, o compromisso de quem decide acolher um cão com características tão marcantes. A segurança de todos começa no portão de casa.

SB