A Polícia Federal amanheceu esta quarta-feira (19) batendo às portas de suspeitos de integrar um esquema milionário de desvio de dinheiro público envolvendo casas lotéricas e correspondentes bancários na Paraíba. A Operação Sorte Sombria revelou um rombo que ultrapassa R$ 1,3 milhão — dinheiro que deveria ter sido repassado à Caixa Econômica Federal após o pagamento de contas de clientes.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa, mas o esquema, segundo a PF, se estendia por unidades localizadas nos municípios de Itabaiana, Pilar e São José dos Ramos. Para driblar o sistema e obter concessões, os investigados teriam recorrido a uma prática velha, porém eficiente: o uso de “laranjas” para assumir a frente das operações enquanto o comando real ficava oculto.
A investigação começou após a própria Caixa detectar inconsistências graves e comunicar o caso à Polícia Federal. As análises apontam que os responsáveis recebiam os valores dos boletos pagos pelos clientes, mas simplesmente não repassavam a quantia à instituição financeira — um golpe direto no patrimônio público e que afeta, inclusive, a credibilidade do serviço lotérico.
Os envolvidos poderão responder por peculato — crime cometido contra a administração pública — e associação criminosa. As penas podem ultrapassar 20 anos de prisão somadas.
A Polícia Federal segue aprofundando a investigação para identificar todos os beneficiados e rastrear o destino do dinheiro desviado. O caso abre mais um alerta sobre fragilidades no sistema de concessão de lotéricas e reforça a urgência de mecanismos mais rígidos de controle e fiscalização.