A Justiça da Paraíba publicou, nesta segunda-feira (1º), a sentença que determinava a internação psiquiátrica de Gérson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como “Vaqueirinho”. A decisão, no entanto, veio apenas um dia após a morte trágica do jovem, ocorrida no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa.

Gérson morreu no domingo (30) depois de invadir o recinto de uma leoa e ser atacado pelo animal. A sentença judicial reconhecia que o jovem apresentava esquizofrenia, quadro de alta periculosidade e necessidade urgente de tratamento psiquiátrico em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP). O documento também apontava que o tratamento ambulatorial seria insuficiente diante da gravidade da situação.

Embora a decisão tenha sido assinada no dia 30 de outubro, a publicação oficial só ocorreu após o óbito do jovem, escancarando a distância entre o reconhecimento do problema e a efetivação da medida protetiva.

Conhecido por episódios recorrentes de perturbação em espaços públicos, Gérson foi alvo de pelo menos 16 prisões, sempre tratado sob a ótica da ordem pública e nunca, de forma efetiva, como um paciente em sofrimento mental grave. A internação judicial, quando enfim reconhecida como necessária, não chegou a tempo.

O caso reacende o debate sobre a morosidade do Estado em lidar com transtornos mentais severos, a insuficiência da rede de atenção psicossocial e a recorrente criminalização da doença mental. Especialistas alertam que, quando o cuidado falha, o desfecho pode ser fatal — não apenas para quem sofre o transtorno, mas para toda a sociedade.