O transporte público pode estar prestes a enfrentar mais uma turbulência. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Sintur), Isaak Júnior, fez um alerta contundente sobre o impacto do recente aumento no preço do diesel, que, segundo ele, pode comprometer seriamente a operação das empresas de ônibus.

De acordo com dados apresentados pelo dirigente, no dia 3 de março o litro do diesel custava R$ 4,2312 para as concessionárias de transporte — valor que já incluía o benefício fiscal concedido pelo Governo do Estado, com a redução da alíquota do ICMS voltada ao transporte de passageiros. No entanto, apenas seis dias depois, em 9 de março, o combustível passou a ser adquirido por R$ 5,6771.

O salto representa um aumento de R$ 1,4459 por litro, o equivalente a 34,17% em apenas uma semana — índice considerado alarmante pelo setor.

Isaak Júnior afirmou que o aumento é “estratosférico” e que nenhuma atividade econômica consegue absorver uma elevação tão brusca em tão curto espaço de tempo. Segundo ele, o cenário gera forte preocupação entre as empresas operadoras, que já enfrentam dificuldades para manter o equilíbrio financeiro do sistema.

“O transporte coletivo é altamente dependente do diesel. Quando ocorre um aumento dessa magnitude em poucos dias, todo o planejamento financeiro é impactado. Não há atividade que suporte absorver um aumento desse tamanho”, afirmou o presidente do Sintur.

O dirigente também destacou que, mesmo com incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado, o impacto do combustível continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os custos do sistema.

A declaração reacende um debate sensível: quem vai pagar a conta. Especialistas do setor apontam que, diante da alta dos combustíveis, os caminhos normalmente acabam sendo dois — reajuste da tarifa ou aumento de subsídios públicos para evitar que o impacto recaia diretamente sobre os passageiros.

Enquanto isso, usuários do transporte coletivo temem que a instabilidade no preço do diesel resulte em passagens mais caras ou até redução de linhas e horários.

Nos bastidores, representantes do setor já discutem alternativas com o poder público para evitar um colapso no sistema. Mas a avaliação é de que, se o preço do combustível continuar subindo nesse ritmo, o transporte público pode enfrentar uma nova crise nos próximos meses.

SB