A soltura do cantor João Lima, réu por tentativa de feminicídio contra a ex-esposa Raphaella Brilhante, voltou a gerar forte repercussão na Paraíba. A decisão judicial concedeu liberdade ao artista com medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com a vítima e restrições determinadas pela Justiça.  

O caso ganhou ainda mais força após a participação de Kellyani Brilhante, mãe de Raphaella, no programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM. Emocionada, ela chorou ao falar do medo pela vida da filha e afirmou que, diante da soltura, cresce a sensação de que agressores de mulheres não são punidos com o rigor esperado.

Kellyani também relatou o temor de encontrar João Lima em algum lugar e de que ele volte a procurar Raphaella para “concluir o que começou”, como acontece em muitos casos de violência contra a mulher que terminam em feminicídio. A fala repercutiu fortemente entre ouvintes e nas redes sociais, onde muitas pessoas criticaram a decisão e apontaram uma sensação de insegurança para vítimas que denunciam.

No mesmo programa, o advogado de defesa de João Lima, Dr Luís Pereira, afirmou que o cantor irá cumprir todas as medidas cautelares impostas pela Justiça. Apesar disso, a soltura provocou debate público sobre a efetividade da proteção às vítimas e sobre a percepção de que pessoas com influência política, financeira ou social conseguem tratamento diferente em casos graves.

João Lima é filho de Cicinho Lima, cantor e suplente de deputado estadual. Nas redes sociais, após vídeos da entrevista da Arapuan FM repercutirem, muitos internautas questionaram se um acusado sem influência teria recebido o mesmo tratamento da Justiça, reacendendo críticas sobre desigualdade no sistema judicial brasileiro e a proteção às vítimas de violência contra a mulher.