Arcebispo completa duas décadas como bispo nesta quinta-feira (24); caminhada inclui passagem por Caicó e Campina Grande e quase uma década à frente da Arquidiocese da Paraíba

A Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, no Centro Histórico de João Pessoa, será novamente cenário de um capítulo importante da história da Igreja Católica na Paraíba. Nesta quinta-feira (24), às 10h, o local recebe a Missa em ação de graças pelos 20 anos de ordenação episcopal de Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap., Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

A celebração marca duas décadas desde que Dom Delson foi ordenado bispo, em 24 de setembro de 2006, em Feira de Santana, na Bahia. Desde então, sua trajetória passou por três importantes igrejas particulares do Nordeste: a Diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, a Diocese de Campina Grande e, desde 2017, a Arquidiocese da Paraíba. Os registros oficiais apontam que ele permaneceu em Caicó de 2006 a 2012 e em Campina Grande de 2012 a 2017.

Nascido em Biritinga, na Bahia, em 10 de julho de 1954, Manoel Delson ingressou ainda jovem na vida religiosa. Fez seus primeiros votos na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 15 de janeiro de 1975 e foi ordenado sacerdote em 5 de julho de 1980, em Feira de Santana. Em 2025, completou 50 anos de profissão religiosa.

Da Bahia à Paraíba: uma caminhada de 20 anos como bispo

A história episcopal de Dom Delson começou em 2006, quando foi nomeado bispo e destinado à Diocese de Caicó. Seis anos depois, em 2012, assumiu a Diocese de Campina Grande, aproximando definitivamente sua trajetória da Igreja paraibana.

A mudança mais significativa ocorreu em 8 de março de 2017. Naquele dia, o Papa Francisco o nomeou Arcebispo Metropolitano da Paraíba. A posse aconteceu em 20 de maio daquele ano e transformou João Pessoa em ponto de encontro de bispos, sacerdotes, religiosos e milhares de fiéis.

Pela manhã, Dom Delson tomou posse na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves. Mais de 30 bispos e arcebispos participaram das cerimônias daquele dia. À tarde, uma grande celebração de acolhida tomou o Ginásio Ronaldão, no bairro do Cristo Redentor, reunindo representantes das paróquias, pastorais, movimentos e serviços da Arquidiocese. Os registros da época descrevem uma multidão ocupando as arquibancadas para receber o novo arcebispo.

Era o começo de uma nova fase da Igreja Metropolitana da Paraíba.

O Pálio e um dos primeiros momentos históricos

Poucos meses depois da posse, Dom Delson viveria outro momento simbólico de seu ministério. Em 29 de junho de 2017, esteve em Roma e recebeu do Papa Francisco o Pálio Arquiepiscopal, insígnia própria dos arcebispos metropolitanos e símbolo da comunhão com o Papa e da responsabilidade pastoral.

A imposição solene ocorreu em João Pessoa em 5 de agosto daquele ano, justamente na festa de Nossa Senhora das Neves. O então Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, realizou o rito durante a Missa na Catedral. O próprio Dom Delson recordaria posteriormente que aquele momento completava o ciclo iniciado com sua posse como arcebispo.

Desde então, algumas das manifestações religiosas mais tradicionais da Paraíba passaram a ter Dom Delson como uma de suas figuras centrais.

Das Neves à Penha

À frente da Arquidiocese, o arcebispo passou a presidir grandes celebrações do calendário religioso paraibano, entre elas a Festa de Nossa Senhora das Neves, a Semana Santa, Corpus Christi, Pentecostes e a tradicional Romaria de Nossa Senhora da Penha.

Em 2023, por exemplo, Dom Delson participou das celebrações dos 260 anos da Festa de Nossa Senhora da Penha, uma das maiores manifestações religiosas da Paraíba. Na programação daquele ano, presidiu a Missa das 4h no Santuário da Penha, após a tradicional romaria iniciada na noite anterior no Centro de João Pessoa.

Outro momento de forte simbolismo ocorreu também em 2023, quando a Arquidiocese comemorou os 30 anos da Festa de Pentecostes. A primeira edição havia sido realizada em 1993, ainda no episcopado de Dom José Maria Pires. Três décadas depois, Dom Delson presidiu a celebração no Espaço Cultural José Lins do Rego, dando continuidade a uma tradição atravessada pelos episcopados de Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Pinto Carvalheira e Dom Aldo Pagotto.

O desafio histórico da pandemia

Mas a trajetória de Dom Delson na Paraíba não foi construída apenas em grandes celebrações com igrejas e praças lotadas.

Um dos períodos mais singulares de seu episcopado ocorreu durante a pandemia da Covid-19. Em 2020 e 2021, celebrações que durante gerações reuniram multidões precisaram acontecer sem a presença dos fiéis.

Na Semana Santa de 2020, missas ocorreram sem público, procissões foram suspensas e ritos tradicionais precisaram ser adaptados. Dom Delson pediu que os católicos permanecessem em casa e acompanhassem as celebrações a distância. Em 2021, diante do agravamento da pandemia, a Arquidiocese voltou a restringir a participação presencial, justificando a decisão como uma medida de defesa da vida e de solidariedade aos profissionais de saúde.

Aquele período entrou para a história da Igreja paraibana como um dos raros momentos em que algumas das principais celebrações católicas foram conduzidas diante de templos praticamente vazios e transmitidas aos fiéis pelos meios de comunicação e pelas redes sociais.

Um novo bispo para ajudar a conduzir a Arquidiocese

Outro capítulo importante ocorreu em 2023 e 2024. Após solicitação apresentada por Dom Delson, o Papa Francisco nomeou Dom Alcivan Tadeus Gomes de Araújo bispo auxiliar da Arquidiocese da Paraíba.

Dom Delson participou como co-ordenante da ordenação episcopal de Dom Alcivan, realizada em 2 de fevereiro de 2024, na Catedral de Sant’Ana, em Caicó. Poucas semanas depois, em 22 de fevereiro, presidiu na Catedral das Neves a celebração de apresentação do novo bispo auxiliar aos paraibanos. A Catedral ficou lotada e uma multidão acompanhou a cerimônia também pelo lado externo, por meio de telões.

A chegada de Dom Alcivan representou uma nova configuração na condução pastoral de uma Arquidiocese que reúne mais de uma centena de paróquias.

Uma Igreja com mais de um século de história

Em 2024, Dom Delson também conduziu as comemorações dos 130 anos da criação da Diocese da Paraíba e dos 110 anos de sua elevação à condição de Arquidiocese. Na abertura daquele ano pastoral, o arcebispo chamou atenção para a história da Igreja local e para a necessidade de preservar sua identidade missionária.

Já no final daquele ano, cerca de 4 mil pessoas participaram da peregrinação que marcou a abertura do Ano Jubilar de 2025. O percurso terminou novamente na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, onde Dom Delson presidiu a Missa de abertura do Jubileu, acompanhado de Dom Alcivan e do clero arquidiocesano.

Assim, ao completar 20 anos de episcopado, Dom Delson também carrega em sua própria trajetória parte da história recente da Igreja Católica na Paraíba: das grandes celebrações populares ao silêncio das igrejas durante a pandemia; da posse diante de uma multidão no Ronaldão à chegada de um novo bispo auxiliar; das tradicionais festas das Neves e da Penha aos jubileus que atravessam gerações de católicos.

Nesta quinta-feira, parte dessa caminhada volta ao lugar onde muitos desses capítulos foram escritos.

Às 10h, Dom Delson preside a Missa em ação de graças pelos seus 20 anos de ordenação episcopal na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves.

Antes da celebração, às 9h30, o arcebispo receberá profissionais de imprensa na sacristia da Catedral. Será também uma oportunidade para recordar acontecimentos que atravessaram duas décadas de episcopado e quase dez anos de presença à frente da Arquidiocese da Paraíba.