Em uma ação que escancara os buracos na segurança digital do setor público, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (28) a Operação Pando, mirando um esquema audacioso de furto eletrônico contra a prefeitura de Poço de José de Moura, sertão da Paraíba.
O golpe, que aconteceu em 2022, deixou um rastro de prejuízo para os cofres públicos: R$ 182.566,00 foram simplesmente arrancados das contas do município e pulverizados em dezenas de contas bancárias Brasil afora uma verdadeira operação de lavagem que usou “laranjas” como peças-chave.
De acordo com a Polícia Federal, os criminosos atuaram com uma frieza digna de filme. Invadiram os sistemas bancários da prefeitura e, em questão de horas, o dinheiro que deveria ser usado em serviços públicos como saúde, educação e infraestrutura foi parar nas mãos de hackers e comparsas.
A investigação, que corre sob sigilo há meses, revelou que os bandidos utilizaram sofisticadas técnicas de fraude eletrônica e movimentaram o dinheiro de forma pulverizada, dificultando o rastreio. Mas não contavam com a quebra de sigilos bancários e telemáticos, autorizada pela Justiça Federal de Sousa/PB, que revelou os caminhos tortuosos do dinheiro sujo.
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo e Suzano/SP, regiões onde, segundo a PF, parte da quadrilha operava. Os investigadores ainda trabalham para identificar outros envolvidos e recuperar o montante desviado
A operação foi batizada de Pando, do latim “Eu me espalhei”, uma referência direta ao modo como os criminosos distribuíram os valores roubados, tentando escapar da lei. Mas não conseguiram. A Polícia Federal garante que as investigações continuam e que outros envolvidos podem ser alcançados nos próximos dias. Enquanto isso, a pergunta que não quer calar ecoa nas ruas de Poço de José de Moura e no sertão da Paraíba: Se nem o dinheiro da prefeitura está seguro, o que dizer do nosso?
SB