A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (FICCO/PB), com apoio do GAECO do Ministério Público, deflagrou nesta quinta-feira (27) a Operação Lux, que atingiu em cheio uma organização criminosa que, segundo as investigações, continuava operando tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes patrimoniais mesmo com integrantes presos no sistema penitenciário.
Ao todo, 11 mandados de prisão preventiva foram cumpridos, além de buscas, apreensões e sequestro de bens, escancarando uma estrutura criminosa sofisticada, com núcleos bem definidos, responsáveis por executar ações nas ruas e ocultar milhões provenientes do crime. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Regional das Garantias da Capital.
As investigações mostram que a facção possuía uma verdadeira central de comando, articulando ações criminosas na Grande João Pessoa e em outros estados, inclusive São Paulo, enquanto utilizava laranjas, empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas para driblar a fiscalização.
Crime comandado de dentro do sistema prisional
Um dos pontos mais sensíveis revelados pela Operação Lux é a participação direta de presos na coordenação das atividades criminosas, evidenciando como facções continuam influenciando o tráfico, o comércio ilegal de armas e ataques ao patrimônio, mesmo sob custódia do Estado. A investigação aponta falhas exploradas pela organização para manter o fluxo financeiro e operacional do grupo.
Penas podem ultrapassar 30 anos
Os investigados respondem por organização criminosa, tráfico e associação para o tráfico, lavagem de capitais e outros crimes graves, como roubo qualificado e receptação. Se condenados, podem enfrentar penas superiores a 30 anos de prisão, o que reforça a gravidade do esquema desmantelado.
Operação mostra que o crime deixou de agir no escuro
Para as forças de segurança, a Operação Lux representa um duro golpe em facções que acreditavam estar protegidas pela clandestinidade e pela atuação interestadual. O nome da operação, “Lux” (luz, em latim), simboliza a exposição de um sistema criminoso que operava à sombra, sustentado por dinheiro ilícito e articulações de dentro e fora dos presídios.
A ação reforça que o enfrentamento ao crime organizado só é possível com integração entre polícia, Ministério Público e sistema penitenciário, mas também reacende o debate sobre até que ponto o sistema prisional consegue conter o poder das facções.
SB