João Pessoa, uma das capitais que mais cresce no Nordeste, pode começar a sentir os efeitos da paralisação iniciada nesta segunda-feira (16) pelos trabalhadores da construção civil.
A mobilização envolve mais de 10 mil operários que cruzaram os braços em protesto contra o descumprimento de um acordo coletivo firmado judicialmente em abril deste ano. A paralisação acende um alerta sobre os impactos econômicos e sociais em uma capital que vive um dos seus maiores ciclos de desenvolvimento urbano.

Apesar da paralisação afetar diretamente o ritmo das obras públicas e privadas, o movimento é considerado legítimo pela categoria, que denuncia a postura do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) de não cumprir os compromissos assinados na presença de representantes da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho. O acordo previa reajuste salarial de 7,51% com retroativo, melhorias na cesta básica, reforço no café da manhã e diálogo direto sobre jornada de trabalho — nenhuma dessas cláusulas foi cumprida.

“A quebra do acordo é um desrespeito com a classe trabalhadora e com a própria Justiça. O Sinduscon ignorou os termos assinados e tenta excluir o sindicato das decisões, centralizando tudo nas empresas”, afirmou Francisco Demontier, presidente do Sintricom-JP.

A paralisação ocorre em um momento sensível para o setor. Só em 2024, a construção civil criou mais de 52 mil empregos formais na Paraíba, sendo responsável por 10% das vagas do estado. João Pessoa, em especial, concentra grande parte dessas obras, que agora correm o risco de atraso e prejuízos bilionários para investidores, construtoras e para o próprio poder público.

Enquanto isso, operários continuam mobilizados em frente aos canteiros, aguardando um posicionamento que garanta o cumprimento do acordo e o respeito aos direitos conquistados. A greve continua sem previsão de encerramento.