Uma organização criminosa que operava uma verdadeira frota aérea clandestina para o tráfico de drogas, movimentando bilhões de reais e utilizando empresas fantasmas, foi desarticulada na manhã desta quinta-feira (18) durante a Operação Hangar Fantasma, deflagrada pela Polícia Federal, com apoio do Gaeco do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Militar.

O que mais chama a atenção na investigação é que o chefe do esquema comandava toda a operação de dentro do sistema penitenciário paraibano, ordenando o transporte de grandes carregamentos de cocaína por meio de aeronaves, que saíam das regiões Norte e Centro-Oeste com destino ao Nordeste.

Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso estava ligado a três grandes apreensões recentes, que somam cerca de uma tonelada de drogas. Em dois dos casos, aeronaves foram flagradas transportando aproximadamente 400 quilos de cocaína cada, no estado do Tocantins. A terceira apreensão ocorreu por via terrestre, na Paraíba.

As investigações revelaram ainda uma engenharia financeira sofisticada, usada para lavar o dinheiro do tráfico. A organização utilizava “laranjas” e empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos e adquirir bens de alto valor, como aviões, hangares e veículos de luxo, criando uma estrutura criminosa difícil de rastrear.

Como golpe direto no coração financeiro do grupo, a Justiça determinou o bloqueio de contas e ativos até o limite de R$ 4,8 bilhões, além do sequestro de diversos bens móveis e imóveis. A medida busca impedir que os criminosos continuem lucrando com o tráfico e garantir o ressarcimento à sociedade.

Ao todo, cerca de 150 policiais foram mobilizados para cumprir 63 mandados judiciais, entre prisões preventivas, temporárias e mandados de busca e apreensão, em seis estados e no Distrito Federal.

Os investigados vão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

O nome da operação, “Hangar Fantasma”, faz referência ao modo como o grupo ocultava a verdadeira propriedade das aeronaves e estruturas usadas no crime, mantendo uma frota aérea invisível aos sistemas de controle, enquanto movimentava drogas e dinheiro em escala nacional.

SB