Um crime de feminicídio voltou a chocar a Paraíba na manhã deste domingo (24), na cidade de Juru, Sertão do estado. Antônia Ferreira Pereira, conhecida como Dona Neide, foi morta a golpes de arma branca dentro da própria casa, na Rua da Vaquejada. O principal suspeito é o companheiro dela, Geraldo Batista Dias, que fugiu logo após o crime.

De acordo com a Polícia Civil, o homem trancou o imóvel com o corpo da vítima dentro e avisou o irmão, por telefone, onde havia deixado a chave da residência. O irmão constatou a morte e acionou a Polícia Militar. A perícia confirmou múltiplos ferimentos na região posterior da cabeça, que provocaram a morte imediata. O corpo foi encaminhado ao Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol). A Polícia Civil já representou pela prisão preventiva do suspeito, que continua sendo procurado em áreas rurais próximas.

Feminicídios em alta

O caso de Dona Neide evidencia uma realidade preocupante em todo o estado. Apenas no primeiro trimestre de 2025, a Paraíba registrou 12 feminicídios, 50% a mais do que no mesmo período de 2024, quando foram oito ocorrências. No balanço do primeiro semestre, já são 19 mulheres assassinadas em crimes tipificados como feminicídio, configurando o segundo pior resultado da última década, atrás apenas de 2018.

Violência sexual em crescimento

Além dos homicídios, os números de violência sexual também vêm crescendo de forma alarmante. A Paraíba foi o estado com maior aumento percentual de casos de estupro em 2024, registrando alta de 93%. No mesmo período, os estupros de vulnerável cresceram 111,2%, com 883 vítimas, sendo 789 mulheres.

Subnotificação preocupa

Enquanto os casos aumentam, os registros de denúncias pelo Ligue 180 apresentaram queda em 2024. Foram 9.590 atendimentos, contra 9.789 no ano anterior, e 1.580 denúncias formais, número 2,65% menor que em 2023. A maioria dos crimes denunciados ocorreu dentro de casa, e os agressores mais apontados foram companheiros ou ex-companheiros.

Apesar da redução nos registros, especialistas avaliam que a queda não significa menos violência, mas sim subnotificação, já que muitas vítimas deixam de denunciar por medo ou dependência financeira.

Monitoramento em tempo real

Para enfrentar a escalada da violência contra a mulher, o Tribunal de Justiça da Paraíba lançou, em junho deste ano, o Observatório de Violência Doméstica, uma plataforma online que reúne em tempo real informações sobre feminicídios, processos judiciais e medidas protetivas em todas as comarcas. A ferramenta busca dar transparência aos dados e subsidiar políticas públicas mais eficazes no combate à violência de gênero.

Clamor por justiça

O feminicídio em Juru, além de gerar comoção na cidade e na região, reforça a urgência de respostas rápidas e efetivas do sistema de segurança e justiça. Em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil em razão da violência de gênero, e a Paraíba segue refletindo essa triste estatística nacional. O clamor da população por justiça no caso de Dona Neide se soma ao grito por mais proteção e políticas que assegurem o direito das mulheres de viver sem medo dentro de suas próprias casas.

SB