Durante entrevista ao programa “Paraíba Verdade”, da Rádio Arapuan FM, na manhã desta segunda-feira (6), o médico Dr. Bruno Leandro, presidente do CRM-PB, fez um alerta importante sobre os perigos do consumo de álcool — tanto o metanol, usado ilegalmente em bebidas adulteradas, quanto o etanol, presente nas bebidas comuns, mas consumido em excesso.
“O etanol, que é o álcool liberado e vendido em qualquer esquina, mata muito mais pessoas por dia do que o metanol ou qualquer substância usada para falsificar bebidas. Mata no trânsito, mata na violência doméstica, mata quando o cidadão perde o controle do próprio corpo”, afirmou o especialista.
O médico reforçou, no entanto, que o metanol continua sendo um veneno potente e traiçoeiro, usado de forma criminosa na adulteração de bebidas destiladas, principalmente em locais sem fiscalização.

Segundo ele, o metanol é tóxico mesmo em pequenas quantidades e pode causar cegueira irreversível, convulsões, parada respiratória e morte em poucas horas.
Os sintomas iniciais aparecem geralmente entre 6 e 12 horas após o consumo e incluem:
• visão turva ou dupla;
• dor de cabeça intensa;
• náusea e tontura;
• fraqueza e dificuldade para respirar.
“O problema é que o metanol engana. A pessoa acha que está apenas bêbada, mas o corpo já está entrando em colapso. Quando ela procura ajuda, muitas vezes já é tarde”, explicou Dr. Bruno.
Ele destacou ainda que o tratamento é urgente e deve ser feito em ambiente hospitalar com o uso de etanol venoso e hemodiálise, que ajudam a bloquear a ação tóxica da substância no organismo.
Um alerta à sociedade
A fala do médico reforça que o problema vai além das bebidas adulteradas: é também uma questão de comportamento e saúde pública.
O excesso de álcool legal — o etanol das bebidas comuns — continua sendo responsável por milhares de mortes por ano no Brasil, seja por doenças crônicas, violência ou acidentes de trânsito.
“Precisamos parar de normalizar o abuso de álcool. O perigo não está só na bebida falsificada, mas também na forma como o brasileiro consome o que é permitido”, concluiu o Dr. Bruno, em tom de alerta.
SB