Uma megaoperação da Polícia Militar da Paraíba, realizada na madrugada desta quinta-feira (30), escancarou o poder do narcotráfico nas cidades de João Pessoa e Bayeux. Quase meia tonelada de drogas foi apreendida — parte dela enterrada em Mangabeira, uma das áreas mais populosas da capital, e o restante em pontos estratégicos de Bayeux, segundo a PM.

O que mais chama atenção não é apenas a quantidade de droga apreendida, mas a ousadia e estrutura logística dos criminosos, capazes de manter depósitos subterrâneos em plena zona urbana. A ação contou com a presença direta do comandante-geral da PM, coronel Sérgio Fonseca, que acompanhou as equipes da Força Tática do 5º Batalhão.

Apesar da apreensão histórica, nenhum suspeito foi preso. O material — composto principalmente por maconha, mas também por outras substâncias ilícitas — foi encaminhado para a Cidade da Polícia Civil, no Geisel, onde será pesado e periciado oficialmente.

Segundo informações preliminares, a droga abasteceria diversos pontos de venda nas duas cidades, o que evidencia o tamanho da rede criminosa. Fontes da PM revelam que há nomes já identificados, mas as investigações seguem em sigilo.

A operação reacende um debate incômodo: como o tráfico segue crescendo mesmo com ações constantes da polícia? A quantidade de entorpecentes apreendida mostra a eficiência do trabalho policial, mas também expõe a fragilidade do sistema de inteligência e a falta de integração entre as forças de segurança.

Enquanto a corporação celebra o prejuízo milionário imposto ao crime, a população segue refém do medo. Em bairros como Mangabeira e Bayeux, moradores relatam sensação de abandono e convivem diariamente com a presença silenciosa de facções que controlam ruas, cobram “taxas” e impõem toques de recolher não oficiais.

A polícia promete novas fases da operação e reforça que a luta contra o tráfico não será interrompida