Moradores relatam que a falta de água se arrasta por quase todo o ano; denúncias de baixa pressão, interrupções frequentes e ausência de solução definitiva expõem problemas no abastecimento de um dos bairros mais populosos de João Pessoa.
Em pleno século XXI, moradores de Mangabeira, um dos maiores e mais populosos bairros de João Pessoa, enfrentam uma situação que consideram inadmissível: a dificuldade de ter água nas torneiras para realizar atividades básicas do dia a dia. Segundo relatos da população, a falta de água tem sido uma realidade durante praticamente todo o ano de 2026, levantando sérios questionamentos sobre a eficiência da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e a capacidade do Governo do Estado de garantir um serviço essencial.
O problema não parece ser um episódio isolado. Reclamações registradas ao longo do ano revelam interrupções recorrentes, baixa pressão na rede e dificuldades para abastecer caixas-d’água, especialmente em imóveis de determinadas áreas de Mangabeira.
Em 18 de outubro, uma denúncia publicada no Reclame Aqui relatou que moradores de Mangabeira VIII estavam havia mais de quatro dias enfrentando problemas no abastecimento. Segundo o relato, a pressão da água era tão baixa que algumas famílias precisavam recorrer a mangueiras conectadas a torneiras próximas ao chão para conseguir água suficiente até mesmo para preparar alimentos.
Em outra reclamação, registrada em abril, um morador de Mangabeira IV denunciou interrupções praticamente diárias. Na resposta, a própria Cagepa reconheceu que se tratava de uma situação de intermitência no fornecimento. Apesar disso, o consumidor voltou a reclamar em maio, afirmando que o problema continuava.
Em outubro, moradores de Mangabeira II também voltaram a denunciar a repetição das interrupções.
Cadê os investimentos e o planejamento da Cagepa?
A situação levanta uma pergunta que precisa ser respondida pelo Governo da Paraíba: como um bairro da dimensão de Mangabeira continua enfrentando dificuldades tão frequentes para receber água?
O crescimento populacional e imobiliário da região exige planejamento, ampliação da capacidade de distribuição, manutenção adequada e investimentos capazes de acompanhar a demanda.
Entretanto, os relatos de quem convive com as torneiras secas colocam em dúvida a eficácia das medidas adotadas pela Cagepa.
Não basta anunciar obras, divulgar investimentos e apresentar números positivos à população se, na prática, moradores continuam sem conseguir realizar tarefas tão simples como tomar banho, lavar roupas ou cozinhar.
Quando o problema se repete durante meses, a justificativa de uma manutenção pontual deixa de ser suficiente. É necessário explicar se existe deficiência na estrutura da rede, problemas de pressão, necessidade de ampliação dos reservatórios ou falhas no planejamento operacional.
População paga pela água, mas denuncia que não recebe o serviço adequadamente
Outro ponto que provoca indignação é a cobrança pelo fornecimento.
Enquanto moradores reclamam da ausência ou irregularidade da água, as faturas continuam chegando. A diferença entre a exigência de pagamento e a qualidade do serviço alimenta o sentimento de injustiça.
Água não é luxo. É uma necessidade básica e um serviço público essencial.
O consumidor não pode ficar refém de um abastecimento imprevisível, sem saber se terá água para atender às necessidades da própria família.
A sucessão de reclamações também exige uma postura mais transparente da direção da Cagepa e do Governo do Estado. Afinal, quantas denúncias serão necessárias para que o problema receba uma solução definitiva?
Governo do Estado precisa dar explicações
A crise relatada pelos moradores de Mangabeira não pode ser tratada como um simples transtorno doméstico. Trata-se de uma questão de infraestrutura, prestação de serviço público e responsabilidade administrativa.
Cabe à Cagepa esclarecer quais são as causas das interrupções, quais investimentos específicos foram realizados na rede de abastecimento de Mangabeira em 2026 e se existe um cronograma concreto para solucionar definitivamente os problemas.
O Governo do Estado, responsável pelo controle da companhia, também precisa explicar quais medidas estão sendo adotadas para fiscalizar e melhorar a qualidade do serviço.