O sistema elétrico brasileiro enfrenta um cenário inédito que tem gerado preocupação entre especialistas e autoridades do setor: o risco de um novo apagão ainda em 2025. Diferente dos blecautes provocados por escassez de energia, desta vez o problema decorre do excesso de geração de fontes renováveis, como solar e eólica, em momentos de baixa demanda de consumo.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a expansão acelerada dessas fontes, somada à queda de 2,3% na carga anual de energia no país, tem provocado desequilíbrios no sistema interligado nacional. Em horários de baixo consumo, como as manhãs de domingos e feriados, há grande volume de energia gerada por sol e vento, mas sem consumidores suficientes para absorver essa produção. Essa diferença entre oferta e demanda eleva a frequência da rede elétrica acima do padrão de 60 Hz, o que aciona sistemas automáticos de proteção que podem desligar usinas ou trechos da rede, resultando em apagões localizados.

O ONS tem adotado medidas emergenciais, como o corte temporário de geração em usinas centralizadas, processo conhecido como “curtailment”, para tentar equilibrar o sistema. A consequência é o prejuízo bilionário a empresas geradoras e a necessidade de revisão das regras do setor elétrico, que hoje ainda não contemplam mecanismos eficientes de armazenamento e compensação de energia.

O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, garante que o país não corre risco energético imediato, mas o alerta técnico é claro: a falta de sincronização entre oferta e consumo pode causar falhas pontuais na rede. Especialistas defendem a adoção de novas tecnologias, como baterias de grande porte, redes inteligentes e tarifas que incentivem o uso de energia nos horários de maior geração.

Na Paraíba, o tema também desperta atenção. O estado faz parte do sistema interligado nacional e tem ampliado rapidamente sua participação na matriz renovável, com destaque para a energia solar e eólica. Embora o risco seja nacional, a rede local pode ser impactada caso ocorram oscilações ou cortes de geração no Nordeste. A Energisa Paraíba e os órgãos reguladores acompanham o cenário, avaliando possíveis estratégias para garantir o fornecimento seguro aos consumidores.

O episódio mostra que o desafio da matriz elétrica brasileira não está mais apenas em gerar energia suficiente, mas em administrá-la com inteligência, garantindo equilíbrio entre a produção sustentável e a estabilidade do sistema.

SB com clickpetroleoegas