A polêmica envolvendo o influenciador digital Hytalo Santos, denunciado pelo youtuber Felca por suposta exploração de menores na internet, reacendeu o debate sobre a adultização infantil — quando crianças assumem comportamentos, responsabilidades ou são expostas a conteúdos próprios do mundo adulto. O caso, investigado pelo Ministério Público da Paraíba, levanta questionamentos sobre os impactos emocionais e sociais desse fenômeno, que tem se intensificado com a influência das redes sociais.
Segundo a psicóloga Bruna D’Avila, a adultização infantil compromete diretamente o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. “A criança passa a carregar pressões e expectativas que não condizem com a sua idade, o que pode gerar ansiedade, baixa autoestima, insegurança e até sintomas depressivos no futuro”, explica. Ela alerta que a exposição precoce a responsabilidades e comportamentos adultos, como sensualização ou busca por aprovação por meio da aparência, interrompe processos naturais da infância e prejudica a formação da identidade.

No campo social, o problema também é grave. Ao serem tratadas como adultos, crianças tendem a se distanciar de pares da mesma idade, o que afeta a capacidade de criar vínculos saudáveis, desenvolver empatia e aprender sobre limites. “A convivência com outras crianças é essencial para o amadurecimento social e emocional. Quando isso é trocado por um ambiente adulto, o aprendizado sobre cooperação e respeito mútuo fica comprometido”, acrescenta Bruna.
Para a especialista, prevenir a adultização é uma responsabilidade compartilhada entre família, escola, sociedade e plataformas digitais. Ela defende que pais acompanhem de perto o que os filhos consomem e produzem na internet, que as escolas trabalhem a educação digital e que as redes sociais criem mecanismos mais rigorosos de proteção. “A infância é um período único e insubstituível. Quando ela é abreviada, as marcas podem durar para toda a vida”, conclui.
SB