O som dos tiros, o cheiro de fumaça e as ruas bloqueadas por crateras e barricadas têm se tornado parte do cotidiano dos moradores de Colinas do Sul, em João Pessoa. O bairro, mais uma vez, foi cenário de confronto entre criminosos e a polícia. A noite de quinta-feira (06) terminou com viaturas atoladas e a sensação de insegurança cravada na mente de quem só queria descansar em paz.
O episódio, registrado na região do Irmã Dulce, é mais do que uma notícia policial, é um retrato social. Famílias que se trancam cedo, crianças que se acostumam ao barulho dos disparos e trabalhadores que temem sair de casa. Cada buraco cavado no chão da rua é um símbolo da ferida aberta pela violência urbana que insiste em se repetir.
As forças de segurança seguem em vigilância constante. A cada incursão policial, há um misto de esperança e temor. Esperança de que a lei volte a prevalecer; temor de que a resposta da criminalidade seja ainda mais agressiva contra os policiais que também tem família e estão agindo para garantir a paz nas comunidades. Nesse vai e vem de operações, fica a pergunta: o que leva uma comunidade inteira a viver cercada pelo medo?
Mais do que uma ação policial, Colinas do Sul precisa de um olhar humano, de políticas públicas que enxerguem além das crateras e das armas. É preciso investir em educação, lazer e oportunidades, caminhos que tapam os buracos invisíveis deixados pela ausência do Estado e pela desesperança de tantos jovens.
Enquanto isso, a população aguarda. Entre sirenes e orações, o pedido é simples: paz para viver, não apenas sobreviver.
Por Sabrina Barbosa