O clima de tensão entre funcionários e direção do Itaú-Unibanco se intensificou. Nesta quarta-feira (17), o Sindicato dos Bancários da Paraíba paralisa as atividades da agência do Itaú localizada na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa, em protesto contra a demissão em massa de mais de mil bancários em todo o país.
A medida integra o dia nacional de luta promovido por entidades sindicais em diversas capitais, após o banco anunciar, no último dia 8, o desligamento em grande escala de trabalhadores. O fato que mais revoltou a categoria foi a justificativa utilizada: segundo a direção do Itaú, os cortes ocorreram com base no monitoramento de cliques e outras ações realizadas nos equipamentos de trabalho, apontando suposta baixa produtividade no regime de home office.
Demissões polêmicas e clima de perseguição
A maior parte dos desligamentos ocorreu em São Paulo, Osasco e região, atingindo bancários lotados no Centro Tecnológico (CT), CEIC e Faria Lima. Muitos estavam em regime híbrido ou remoto integral. Para o movimento sindical, o argumento do banco configura prática abusiva e abre brecha para perseguições internas, fragilizando ainda mais a relação de confiança no ambiente de trabalho.
Na segunda-feira (15), a Comissão de Organização dos Empregados (COE Itaú) se reuniu com representantes do banco exigindo a suspensão das demissões. A instituição, porém, manteve a decisão e alegou “questões éticas e quebra de confiança” para não rever as dispensas.
Voz sindical
“Nosso intuito é denunciar as práticas abusivas da direção do banco, assim como destacar a defesa do emprego decente na categoria bancária, sem perseguições e excesso dos gestores”, afirmou Carlos Hugo, diretor do Sindicato dos Bancários da Paraíba e representante do Nordeste na COE Itaú.
A paralisação em João Pessoa busca dar visibilidade ao problema e alertar a sociedade sobre o impacto das demissões. Para o sindicato, além de gerar insegurança na categoria, o Itaú — maior banco privado da América Latina — mostra contradição entre seus lucros bilionários e a forma como trata seus trabalhadores.
Mobilização nacional
O movimento desta quarta-feira não se restringe à Paraíba. Entidades sindicais de todo o Brasil realizam manifestações simultâneas, reforçando a pauta contra os desligamentos em massa e exigindo mais transparência na gestão de pessoas.
Enquanto o banco defende que se trata de um processo baseado em métricas de desempenho, os trabalhadores denunciam que o método usado para justificar as dispensas representa vigilância excessiva e assédio organizacional, o que pode abrir precedentes perigosos para o mercado de trabalho.
SB