Já se passaram dois meses desde que o ex-presidente Donald Trump voltou a adotar medidas duras contra importações, conhecidas como o “tarifão”. A decisão de aumentar as tarifas sobre diversos produtos importados — como aço, alumínio, madeira e até móveis — vem mexendo com a economia mundial e gerando efeitos diretos dentro e fora dos Estados Unidos. O objetivo declarado de Trump é proteger a indústria americana, mas o resultado tem sido uma reação em cadeia que começa a afetar preços, exportações e acordos comerciais em vários países.

Nos Estados Unidos, o consumidor já sente no bolso: produtos importados estão mais caros e empresas que dependem de peças estrangeiras relatam aumento de custos. Montadoras e indústrias de tecnologia estão pressionando o governo por alívio nas tarifas. A montadora britânica Aston Martin, por exemplo, já anunciou queda nas projeções de lucro por causa das novas taxas. Enquanto isso, países como o Vietnã e a China redirecionam suas exportações — reduzindo o envio de produtos aos EUA e fortalecendo relações comerciais com a Europa e outras regiões.

No Brasil, o impacto também é sentido, especialmente entre exportadores de commodities e produtos industrializados. A alta nas tarifas americanas reduz a competitividade de produtos brasileiros que dependem do mercado dos Estados Unidos. Por outro lado, o cenário abre oportunidades: com a China e o Vietnã focando na Europa, o Brasil pode ocupar espaço em alguns segmentos, como o de calçados, madeira e alimentos. Economistas apontam que o país pode se beneficiar se conseguir negociar novos acordos e oferecer alternativas mais baratas a mercados que antes compravam dos EUA.

Mesmo com essa “janela de oportunidade”, especialistas alertam que o tarifão pode trazer instabilidade para toda a economia global. A guerra comercial tende a desacelerar o crescimento mundial e pressionar os preços. No caso brasileiro, isso pode significar um real mais valorizado em relação ao dólar e encarecimento de importados, mas também pode favorecer a exportação agrícola e industrial, desde que o país saiba aproveitar o momento com uma política comercial mais ativa.