Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) voltou ao centro de uma polêmica ambiental após ser notificada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) por extravasamentos de esgoto em diversos pontos da Orla marítima de João Pessoa e pelo rompimento de uma rede coletora no bairro dos Bancários.
A notificação, feita nesta segunda-feira (5), exige manutenção imediata dos poços de visita e a interrupção do despejo de efluentes nas vias públicas, situação que coloca em risco o meio ambiente, a saúde da população e a imagem turística da Capital.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Welison Silveira, a ação da Semam tem caráter preventivo, mas evidencia um problema recorrente.
“Desde o Natal estamos constatando extravasamentos na Orla. Hoje, nos Bancários, verificamos o rompimento de uma rede coletora. Vamos intensificar ainda mais a fiscalização”, afirmou.
A Prefeitura reforça que sua atribuição é fiscalizar, enquanto a responsabilidade pela operação, manutenção e ampliação do sistema de esgotamento sanitário é da Cagepa, empresa estadual.
Redes saturadas e risco coletivo
De acordo com a notificação, os extravasamentos ocorrem por limitação da capacidade das redes coletoras, o que levanta questionamentos sobre planejamento, investimentos e prevenção por parte da companhia.
No documento, a Semam cobra providências definitivas, incluindo a ampliação das redes, para evitar a contaminação das praias urbanas — um problema que impacta diretamente moradores, comerciantes, turistas e o ecossistema marinho.
“Há risco para toda a coletividade”, destaca o texto da notificação.
MP entra no caso
Diante da gravidade da situação, está marcada para a próxima quinta-feira (8) uma audiência com o Ministério Público da Paraíba (MPPB). O objetivo é definir um cronograma com prazos para que a Cagepa execute as correções necessárias e evite novos episódios de esgoto a céu aberto.
Efluentes: o problema invisível que ameaça a cidade
Efluentes são resíduos líquidos ou gasosos provenientes de atividades humanas. Quando descartados sem tratamento adequado, causam poluição da água e do solo, além de doenças e danos ambientais irreversíveis — o que torna o tratamento obrigatório segundo a legislação ambiental.