Mais de 10 mil crianças e adolescentes foram submetidos ao trabalho infantil em 2024, na Paraíba, segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT). O aumento de 37% em relação ao ano anterior acende um alerta sobre a violação de direitos e a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e combate à exploração infantil. A pesquisa do IBGE aponta que as vítimas têm entre 5 e 17 anos e, em sua maioria, exercem atividades informais para complementar a renda familiar.
Para o procurador do Trabalho Raulino Maracajá, o cenário é preocupante porque distancia o país da meta de erradicar o trabalho infantil até 2030. Ele lembra que, por trás das estatísticas, há histórias de crianças que deixam a escola, trocam os brinquedos por jornadas exaustivas e crescem sem o direito à infância plena. “O trabalho infantil continua sendo uma ferida aberta na sociedade brasileira. Precisamos do envolvimento de toda a sociedade para romper esse ciclo de pobreza e exploração”, afirmou.
O tema, no entanto, divide opiniões. Muitos lembram que, no passado, era comum ver crianças ajudando os pais no sustento da casa e que isso era visto como lição de responsabilidade. Mas especialistas alertam que essa realidade não pode ser confundida com a exploração. A diferença está no limite: ajudar em pequenas tarefas familiares é diferente de substituir o papel de um adulto, assumir responsabilidades que comprometem a educação e o desenvolvimento da criança.
A reflexão é urgente: até que ponto o trabalho na infância ensina valores e quando ele passa a roubar a própria infância? O aumento dos casos na Paraíba mostra que o debate precisa ir além das estatísticas alcançando escolas, famílias, empresas e governos. O combate ao trabalho infantil é, acima de tudo, um compromisso coletivo com o futuro de uma geração.
SB