Produtores rurais de Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba, estão vivendo um cenário considerado crítico e sem precedentes: a falta de trabalhadores para a colheita está levando ao abandono de plantações e à queda direta na produção agrícola. Pelo menos três produtores já tiveram que encerrar o cultivo de acerola, inhame e macaxeira por não conseguirem mão de obra para recolher os produtos. Segundo eles, o problema é simples e alarmante: o colhedor praticamente deixou de existir. O fato foi denunciado no Programa radiofônico, Paraiba Verdade, da 95.3 FM.
A situação tem provocado prejuízos imediatos e deve impactar o abastecimento e os preços nos próximos meses. Frutas e raízes estão se perdendo no campo, mesmo prontas para a colheita, porque não há quem aceite trabalhar. Para os agricultores, o fator central dessa crise é o assistencialismo excessivo, que estaria desestimulando o trabalho formal e informal no meio rural.
“Hoje ninguém quer pegar no cabo da enxada. O pessoal prefere ficar dependendo do governo. A conta não fecha para quem produz”, relata um produtor da região, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, ofertas de trabalho com pagamento diário e alimentação não têm sido suficientes para atrair trabalhadores.
Na avaliação dos produtores, programas de transferência de renda , especialmente o Bolsa Família, quando mantido sem contrapartidas efetivas, acabam criando uma dependência que afasta parte da população do mercado de trabalho rural. “Não somos contra ajuda social, mas do jeito que está, virou incentivo para não trabalhar. Quem está no campo paga o preço”, afirma outro agricultor.

O impacto vai além das propriedades individuais. Com menos produção, a tendência é de queda na oferta, elevação de preços e prejuízo à economia local, que depende fortemente da agricultura familiar. Além disso, produtores alertam que, se o cenário persistir, mais áreas podem ser desativadas, reduzindo empregos e enfraquecendo a cadeia produtiva.
Especialistas ouvidos pelo setor defendem que programas sociais sejam acompanhados de políticas de incentivo ao trabalho, qualificação profissional e mecanismos que estimulem a permanência do trabalhador no campo, sem retirar a proteção social de quem realmente precisa.
Enquanto o debate avança, a realidade em Alhandra e outros municípios é dura: plantações abandonadas, produção comprometida e agricultores se perguntando até quando será possível continuar produzindo sem quem colha. O alerta está dado e os efeitos podem chegar rapidamente à mesa do consumidor.
SB