Ministério Público da Paraíba, por meio do seu Gabinete de Gestão de Crise sobre a Violência contra as Escolas, divulgou, na semana passada, uma nota técnica conjunta com orientações acerca da cobertura jornalística de eventuais ataques contra escolas. O protocolo foi construído em reuniões dos membros da instituição ministerial com representantes de empresas de comunicação, jornalistas, radialistas e produtores de conteúdos para mídias digitais. O objetivo principal é resguardar vítimas e desestimular o “efeito contágio” da violência.
Durante as reuniões com representantes das empresas e dos profissionais, o procurador-geral de Justiça, Antônio Hortêncio Rocha Neto, destacou que o Ministério Público está dialogando com vários segmentos da sociedade, para enfrentar juntos esse problema. Nesse cenário, identificou-se a importância dos meios de comunicação, porque a veiculação de notícias, nos meios tradicionais de jornalismo e nas mídias digitais, tem sido determinante, para evitar novos ataques ou reduzir os riscos deles. “A imprensa e os produtores de conteúdo em geral têm um papel fundamental e, por isso, chamamos representantes de entidades para esse diálogo”, disse.
Um movimento da imprensa
Antônio Hortêncio ressaltou ainda que a intenção do Ministério Público não era cercear e nem intervir na linha editorial dos veículos, mas contribuir para uma reflexão e possível uniformização por meio de uma construção conjunta, a partir do movimento já iniciado pelas próprias empresas. Sobre isso, ele lembrou que, em nível nacional, veículos se posicionaram a seus públicos, porque perceberam que, especificamente quanto aos ataques contra as escolas, o conteúdo e a forma da notícia podem influenciar negativamente e, mesmo sem a intenção, atender aos objetivos dos agressores de alcançarem “notoriedade” e atingirem o efeito de “contágio da violência”.
“Não se trata da cobertura da violência de uma forma geral, mas desse tipo específico de violência, que, na visão de estudiosos, segue um ‘modelo importado’ dos Estados Unidos. Esses estudos, a maioria baseada nos casos dos EUA, já mostram que esse alastramento não é aleatório, que os envolvidos têm como método a divulgação de suas identidades e dos seus atos como uma forma de se comunicar em grande escala, a fim de que os ataques sejam copiados e repetidos. A gente entende que o jornalismo, muito por causa de sua credibilidade, tem o poder de pautar os assuntos que são tratados na sociedade. As empresas e os profissionais têm essa consciência e acreditamos que agirão com muita responsabilidade e ética”, afirmou o procurador-geral de Justiça
A segunda reunião ocorreu no último dia 17, com representantes convidados por meio das entidades representativas dos profissionais. Compareceram: Land Seixas, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba; Marcos Weric, presidente da Associação Paraibana de Imprensa – API; e Adriana Rodrigues, diretora jurídica do Sindicato dos Radialistas da Paraíba. Os dois encontros foram intermediados e contaram com a assistência de servidores da Assessoria de Imprensa do MPPB.
O Ministério Público ouviu a todos, pedindo para que se posicionassem em relação a adoção de um protocolo padrão para a cobertura da violência contra as escolas e a veiculação das notícias relacionadas. Houve um entendimento sobre a necessidade de dar um tratamento diferenciado a esse tipo de notícia, atendendo orientações de estudiosos e de especialistas em comunicação (algumas recomendadas pela Safernet) e uma disposição de cooperar e levar a seus representados e associados as orientações construídas conjuntamente.