A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, que visa acabar com a escala 6×1 e instituir uma jornada de trabalho de quatro dias por semana com carga semanal de 36 horas, vem gerando forte debate no Congresso e entre representantes do setor produtivo. O relator da proposta, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), alertou para o impacto econômico da medida, com estudos preliminares apontando um aumento de até 30% no custo da mão de obra para as empresas, o que, segundo ele, acabará sendo repassado ao consumidor.

A proposta foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) com o objetivo de modernizar as relações de trabalho e garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores. No entanto, segundo Luiz Gastão, o projeto, da forma como está, não traz os benefícios esperados para os empregados e representa um aumento significativo de custos para as empresas. Ele defende que o texto seja aprimorado para buscar alternativas que fortaleçam a relação entre capital e trabalho, sem comprometer a sustentabilidade econômica.

Entidades representativas, como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), também se posicionaram contra a proposta. Para o presidente em exercício da CACB, Ernesto João Reck, o momento atual não é propício para discutir a redução da jornada de trabalho, considerando os desafios estruturais enfrentados pelo país, como a baixa produtividade, o alto custo operacional e a necessidade de preservar empregos formais.

Além das críticas do setor produtivo, uma pesquisa do Instituto Genial/Quaest com 203 deputados federais revelou que 70% são contrários à PEC, incluindo parlamentares da base do governo. A rejeição é ainda maior entre oposicionistas (92%) e independentes (74%), o que demonstra uma resistência significativa no Congresso. Diante disso, Luiz Gastão articula uma audiência pública para agosto, a fim de ouvir diferentes setores da sociedade e buscar um consenso que preserve o equilíbrio econômico e o bem-estar dos trabalhadores.