O Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB) divulgou relatório que expôs Santa Rita como o município que mais investiu no São João 2025, com R$ 11,3 milhões destinados às festividades. Esse valor o coloca à frente de cidades maiores e tradicionalmente festeiras, gerando questionamentos sobre prioridades e transparência na gestão municipal. 

O documento do TCE revela que 79,4% das despesas com o São João foram feitas por contratações diretas, sendo 64,3% por inexigibilidade de licitação e 15,1% por dispensa. Ou seja: a quase totalidade dos gastos fugiu de processos licitatórios públicos. 

Além disso, cerca de 80% dos recursos empenhados foram alocados para a área de Cultura, demonstrando que quase toda a verba ficou restrita ao espetáculo festivo, com pouco direcionamento para outras funções municipais. 

Comparando os valores com o tamanho do município, Santa Rita mostra desequilíbrio: enquanto cidades menores registraram gastos per capita altíssimos, Santa Rita aparece com gasto absoluto recorde. A cidade se posiciona como recordista de despesa bruta, ainda que o impacto por habitante seja menor que em municípios menores. 

Críticas públicas já surgem de especialistas em controle social e finanças municipais: questiona-se se, diante de demandas urgentes nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, é justificável aplicar tanto recurso em festa. O presidente do TCE-PB, conselheiro Fábio Nogueira, alertou que o São João faz parte da identidade cultural, mas precisa estar equilibrado com responsabilidades essenciais da administração pública. 

Resta agora ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à sociedade civil investigarem possíveis excessos: se houve superfaturamento em contratos culturais, se os serviços foram prestados conforme previsto, e se as prioridades administrativas foram desconsideradas em favor do espetáculo. A Prefeitura de Santa Rita tem até os prazos legais para prestar esclarecimentos.

SB